O Serviço de Verificação de Óbitos de São Paulo reconhece as dificuldades em atestar as mortes por coronavírus na capital paulista. Nos últimos dias, os enterros de quem morreu com suspeita da doença, mas sem a confirmação do diagnóstico, aumentaram em São Paulo.

No cemitério da Vila Formosa, na zona leste, dezenas de covas são abertas todos os dias. Por segurança, os sepultamentos com caixão lacrado são breves e sem a presença de parentes. O procedimento segue normas estabelecidas pela Prefeitura para evitar a disseminação do vírus.

O professor de patologia da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço de Verificação de Óbitos de São Paulo, Luiz Fernando Ferraz, explica que as mortes confirmados por covid-19 têm sido contabilizadas, mas com atraso.

Publicado no último dia 21, o texto com as normas estabelece que todo corpo sem indício ou suspeita de crime fica sob responsabilidade do Serviço de Verificação de Óbitos do Município, independentemente de haver ou não suspeita de infecção pelo coronavírus.

Na prática, a norma define que, durante a pandemia, todo cadáver sem indício de violência deve ser considerado um portador potencial de coronavírus. O temor de parentes e até de quem lida com as vítimas é saber que a real causa da morte pode nunca se confirmar.

O diretor do Serviço Verificador de Óbitos da capital, Luiz Fernando Ferraz, garante que não há subnotificação de mortes por coronavírus. Apenas na cidade de São Paulo, as mortes pela covid-19 chegaram a 144.

Ao todo, o Estado de São Paulo registra 164 óbitos relacionadas ao novo coronavírus, um aumento de 21% desde terça-feira (31). Segundo a secretaria da Saúde, foram confirmadas 28 mortes somente nesta quarta-feira (1º), o maior aumento em números absolutos em um período de 24 horas.

*Com informações do repórter Leonardo Martins