Trabalhar é fundamental para a nossa saúde mental. Já dizia Gonzaguinha, na canção Guerreiro Menino, que “sem o seu trabalho um homem não tem honra”. Apesar de algumas pessoas associarem o trabalho apenas ao salário, ele transcende este quesito. Não que isso não seja importante, pois temos contas básicas a pagar. Porém, o trabalho traz muitos benefícios, dentre eles a realização pessoal, profissional, além do desenvolvimento das habilidades. Enfim, é um espaço onde o homem transforma e é transformado.
E haja espaço para tanta transformação, até porque passamos boa parte dos nossos dias mergulhados no trabalho e, em muitos casos, mais tempo do que em nossas casas. Assim, não é de se estranhar que o que ocorre no ambiente de trabalho influencia nosso estado de ânimo. Também, pudera! Em um mercado cada vez mais competitivo, situações como falta de reconhecimento, pressões excessivas, acúmulos de responsabilidades, lideranças inflexíveis, além do medo de perder o emprego, causam impacto negativo no colaborador e podem provocar doenças como estresse, ansiedade elevada, cefaléias constantes, transtornos de sono, depressão, dentre outras.
É claro que num ambiente corporativo há tensões, frustrações que são decorrentes do próprio ofício. No entanto, quero alertar sobre o excesso destas tensões, uma vez que são prejudiciais. Daí a importância de um olhar mais atento para a saúde mental do colaborador, fornecendo condições necessárias para a promoção da mesma.
Contudo, falar de saúde mental ainda é um tabu em nossa sociedade. Frases como “vai ao psiquiatra ou psicólogo quem está louco” ou “é tudo frescura” são comuns no dia a dia, inibindo as pessoas de manifestarem o que sentem. Há relatos de colaboradores que temem serem discriminados e, por isso, decidem esconder os sintomas.
Só que esta não é saída. É preciso quebrar este tabu e encarar o fato com normalidade. Falar sobre saúde mental é tão comum – ou deveria ser- como discutir sobre qualquer outra alteração que nos incomode como dor de garganta, gastrite, etc. Por isso, as empresas devem investir em estratégias voltadas à saúde emocional dos colaboradores visando reduzir o crescente adoecimento que ocorre no interior destes espaços e que desencadeia prejuízos como queda na produtividade, elevado número de absenteísmo, turn over, dentre outros.
O problema é que muitas empresas ainda não tem clareza da importância de oferecer este suporte, uma vez que os resultados não são imediatos. Contudo, tratar de forma preventiva quadros de ansiedade, estresse, tão comuns em uma sociedade que cobra tudo para ontem, fruto de um modelo capitalista e globalizado que esgota, e muito, a energia física e psíquica do ser humano, não é um luxo e nem tampouco deve ser visto como utopia.
Se algo consome mais que o necessário, é certo que outras necessidades ficarão de lado prejudicando o bem estar não só da própria pessoa, como tudo ao seu redor, uma vez que afeta suas relações com colegas e familiares. É fundamental ter em mente que qualidade de vida implica em considerarmos nossa condição de seres humanos, respeitando nossos próprios limites e isso inclui o ambiente de trabalho.
Assim, os programas de apoio nas empresas devem ser preventivos e não apenas emergenciais, como é praticado por muitas delas e que nada contribui para a saúde mental do colaborador, que fica mais inseguro com a falta de suporte psicológico. Tais espaços devem ser de crescimento e não de adoecimento. Entretanto, com uma boa dose de reflexão, e bom senso, é possível modificar esse cenário e estabelecer uma vida saudável a todos.