Uma das vítimas fez um “acordo” para quitar o financiamento do carro e vendê-lo; a outra vítima adquiriu o automóvel e depositou quase R$ 10 mil na conta do golpista. Caso foi registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil, em Presidente Prudente
Stephanie Fonseca/G1
Um caso de estelionato foi registrado nesta segunda-feira (24) na Delegacia Participativa da Polícia Civil em Presidente Prudente. Dois homens sofreram prejuízos. Após ligações de supostas cobranças, uma das vítimas fez um “falso” acordo para quitar o financiamento do próprio carro e vendê-lo, o outro envolvido comprou o veículo e durante o processo depositou quase R$ 10 mil na conta do golpista.
A vítima, de 47 anos, foi até a delegacia, acompanhada de uma testemunha, e relatou que era proprietária de um carro, este financiado por uma instituição financeira. O homem ainda contou que ficou acertado com a financeira que nos meses de abril e maio, devido à pandemia, haveria isenção da mensalidade, entretanto, após algum tempo recomeçaram as cobranças.
Diante da situação, a vítima procurou o Procon, o qual entrou em contato com a financeira para um acordo e, após novo espaço de tempo, enviou proposta para refinanciamento.
Conforme contou o declarante, no dia 28 de julho de 2020, recebeu ligação de um número fazendo cobranças contínuas, dizendo ser funcionária da instituição financeira.
A vítima salvou o número de contato em sua agenda e, após decidir vender o veículo e quitá-lo, entrou em contato através do tal número, quando foi informado de que havia uma proposta de 40% de desconto para quitação total do veículo. O benefício interessou o homem, que então solicitou o boleto para quitação.
O veículo foi vendido para um homem de 60 anos pelo valor de R$ 20 mil, além de dois IPVA’s nos valores de R$ 756,49, uma multa no valor de R$ 204,24 e uma multa no valor de R$308,49.
O boleto no valor de R$ 9.953,87 foi pago por meio do aplicativo de uma agência bancária. Por fim, o comprador ainda efetuou o depósito na conta-corrente da vítima no valor de R$ 8.776,91, totalizando os R$ 20 mil acordados.
O homem de 60 anos então levou o carro, pois acreditava que havia pago pelo mesmo e que estava tudo regular. Entretanto, para sua surpresa, recebeu ligação da instituição financeira, informando que a vítima está inadimplente e que não receberam pagamento em nenhum valor. Ainda foi informado que o boleto não foi reconhecido como sendo da instituição. Após os fatos, ambos os homens constataram que foram vítimas de estelionato.
Desvio
Conforme explicou a Polícia Civil, por meio do Boletim de Ocorrência, a ligação foi feita por um impostor que se passou por funcionário da instituição financeira para fazer uma cobrança fraudulenta. Não houve sucesso no primeiro momento, mas posteriormente, quando a vítima retornou neste mesmo número, o criminoso gerou um boleto de outra instituição.
Esse outro boleto direcionava a quantia paga para alguma conta a qual o golpista tem acesso, sendo que a quantia paga, que a vítima acreditou ser a da quitação do veículo, foi desviada para o criminoso.
Com o “pagamento”, o criminoso pode usar os dados da vítima e da instituição credora em um boleto falso, trocando o código de barras e a sequência numérica do boleto verdadeiro, e inserindo o código e sequência do boleto gerado pelo criminoso, permitindo que a quantia paga chegue ao seu poder.
No boleto gerado pelo golpista, são mantidos os nomes do credor e do pagador verdadeiros, o que aparenta que o documento seja verdadeiro.
No momento do pagamento, o aplicativo do banco informa os dados do código de barras do boleto que está sendo pago, no caso, em vez da instituição financeira, deve ter constado que era um boleto gerado por uma plataforma de pagamentos na internet.
“Se a pessoa não prestar atenção que são diversos dados que constam no boleto verdadeiro, acaba sendo vítima do golpe”, finalizou.
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