Considerada uma doença comum, a apendicite é bastante frequente em crianças e adolescentes. Trata-se de uma inflamação do apêndice, que é um pequeno órgão localizado entre o intestino delgado e o intestino grosso, na porção inferior direita do abdômen. O cirurgião geral Marcelo Marcos Heidrich alerta que o diagnóstico deve ser feito nas primeiras 48 horas de evolução. “Após esse período há riscos de rompimento, podendo causar peritonite, que é a inflamação da membrana que reveste a parede abdominal”, explica.

Marcelo Heidrich esclarece que a manifestação da apendicite começa com uma dor na região do umbigo logo nas primeiras 24 horas, que se irradia para a porção inferior direita do abdômen, acompanhada de uma dor intensa e aguda. “Além do forte desconforto, normalmente o paciente sente perda de apetite, náuseas e enjoos.”

A inflamação do apêndice, de acordo com o cirurgião, é geralmente ocasionada por acúmulo de fezes, fecalitos (restos fecais endurecidos), vermes, tumores, caroços de uva, unha e por acúmulo de bactérias no intestino. “A apendicite é uma emergência, e o tratamento cirúrgico deve ser feito nas primeiras 48 horas”, alerta Marcelo Marcos Heidrich.

Além dos sintomas mencionados anteriormente, Marcelo Heidrich informa que, em alguns casos, pode ocorrer diarreia. “Geralmente isso acontece em pessoas que têm o apêndice voltado para a região pélvica”. Também pode haver prisão de ventre, inchaço abdominal, febre baixa e dor ou dificuldade em urinar.

O cirurgião geral Marcelo Heidrich orienta que, em caso de suspeita de apendicite, deve-se procurar assistência médica imediatamente. Para auxiliar no diagnóstico, o atendimento inclui a solicitação de exames laboratoriais e de imagem. “Os exames complementares são indispensáveis para que possamos descartar outras complicações que causam sintomas semelhantes. Uma delas é a doença inflamatória pélvica, que acomete especialmente as mulheres”, destaca.

Os principais exames solicitados são hemograma completo, teste de urina, ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada do abdômen e ressonância magnética do abdômen. Marcelo Heidrich esclarece que a ultrassonografia e a tomografia computadorizada são de grande importância devido à sua precisão e rapidez. “Os exames de imagem nos ajudam, por exemplo, a avaliar o espessamento do apêndice e a detectar a presença de pus em sua volta”, relata.

Tratamento

O tratamento da apendicite é feito com a retirada cirúrgica do apêndice. Segundo Marcelo Heidrich, a cirurgia pode ser feita de forma convencional, com uma incisão maior no abdome, ou por videolaparoscopia, com três cortes de apenas alguns milímetros. “Em ambos procedimentos, o tempo de hospitalização não passa de dois a três dias. Já no caso de peritonite, que ocorre quando há o rompimento do apêndice, a cirurgia e os cuidados pós-operatórios são bem mais complexos”, esclarece o cirurgião. 

A obstrução no apêndice é algo imprevisível, por isso, não há como evitar uma crise de apendicite. Como prevenção, Marcelo Heidrich enfatiza a importância de procurar um serviço médico logo nos primeiros sintomas, evitando, assim, que a inflamação evolua para peritonite. “Assim como em muitas outras doenças, o diagnóstico precoce da apendicite favorece o tratamento”, conclui.